sábado, 21 de fevereiro de 2015

Da superstição à ostentação que não reste nem cinzas...


Da superstição à ostentação que não reste nem cinzas...

Por Dizy Ayala


Mês de fevereiro marcado por festas religiosas e o carnaval, a principal expressão cultural do Brasil, traz importantes e necessárias reflexões sobre como crenças e cultura são também manifestações humanas e como tal, passíveis de revisão.

No que diz respeito às crenças, elas são tão particulares e distintas como o é cada indivíduo, na sua singularidade. Quanto às suas práticas é que boa parte das pessoas adere a algum tipo de culto, doutrina ou religião para manifestá-las. Nesse quesito é que alguns juízos do que é bom e o que é mau também vão do julgamento de cada doutrina específica.

O que é possível salientar é que, no que diz respeito ao convívio social, a liberdade de um termina onde começa a do outro, portanto a que se ter o respeito às diferenças e evitar o confronto nessas relações.

Quando se compreende a necessidade do respeito entre as nações e suas crenças, temos um desafio, ainda nos tempos de hoje, quando infelizmente, diante de atitudes extremistas de parte a parte, vítimas inocentes são sacrificadas nesses conflitos.

O mundo todo se compadece quando famílias são dilaceradas pela dor e morte violenta, alguns ânimos acirram e pedem revanche e assim segue o ciclo da violência, até que as relações possam encontrar algum caminho de conciliação.

Nessa trajetória humana, ainda tão carente de evolução em compaixão e o respeito por seu semelhante, há outras vítimas inocentes, os animais. Sim, os animais! Pois tudo o que vive é teu próximo, já dizia Mahatma Gandhi.

São muitos os movimentos civis e de proteção animal que se movem pela absolvição desses seres, nas práticas religiosas, quando, apenas para o imaginário humano, se crê em algum tipo de vantagem em sacrificar inocentes para receber algum tipo de graça espiritual.

Esse costuma ser um assunto tabu, porque para alguns, retira dos grupos a sua própria liberdade de expressão, mas é aí que vale mais uma vez a premissa do respeito ao próximo.

Se, em tempos antigos, havia sacrifício humano, hoje entendido como imoral, como sacrificar o animal? Quando se questiona esse tipo de ato, não há preconceito por alguma etnia ou credo em específico, uma vez que, infelizmente, há várias religiões que ainda tem essa prática, em diferentes partes do mundo, do sacrifício e morte de animais. São alguns cultos de origem africana, israelita e de alguns grupos indianos, só pra citar alguns.

O fato é que quando falamos em direitos, o estendemos para todo ser vivo, que sente e sofre como nós.

No Brasil essa discussão tem ganhado espaço também nos órgãos legisladores.


O assunto é comandado pela Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB/RJ.Segundo Reynaldo Velloso, presidente da comissão, "Não há necessariamente conflitos de interesses ao se tratar do tema religião/animal. O que existe é uma perfeita integração na discussão. Não proponho a extinção ou proibição de crenças ou tradições, mas a observância da legislação vigente e seu devido cumprimento", enunciou.
O caminho da evolução se constrói pela compaixão e dentre tantas demandas que pretendem a absolvição dos animais de qualquer aflição e martírio imposto pela mão humana, essa continua a ser uma importante e necessária revisão de valores. Enquanto ainda se crê em deuses carentes do sacrifício como poderemos reclamar por misericórdia? Importante fazer o julgamento de nossas práticas diárias nesse caminho de evolução, para que sejamos nós absolvidos da culpa do pecado.



Por outro lado, quando se pretende celebrar a vida e exaltar riquezas naturais na expressão de cultura, como no Carnaval, percebemos distorções.

Há exaltação dos chamados destaques das escolas de samba e suas fantasias com plumas de diversas aves e inúmeros adornos em cada bloco e carro alegórico, sendo boa parte provenientes da morte de animais que são tidos como protegidos como especies nativas da fauna brasileira.

Muito já se tem discutido sobre a ostentação de uma festa nessas proporções diante de problemas graves na economia do país. Recentemente, vivendo inclusive uma crise energética, recursos naturais como a água também tem uso expressivo.

A vaidade humana se exacerba nas alegorias e não há números oficiais que deem conta do montante de quantas mortes de animais decorrem da festa ícone da beleza, alegria e glamour.

Já há tantas opções sintéticas para os enfeites, porém para muitos ainda soa como falso. Porém se a verdadeira fonte, nos bastidores, viesse ao palco principal aos olhos dos expectadores seria mesmo tão glamurosa?




As autoridades da Bolívia proibiram o uso de peles e plumas de animais nas fantasias que serão usadas no Carnaval do país, assim como o uso indiscriminado de água em brincadeiras ao longo das comemorações.

Após a chamada quarta-feira de cinzas, costuma se dizer que o ano está apenas começando. Com os começos e recomeços, sempre se renovam as esperanças.

Que haja esperança para os animais reféns da crença e exaltação, seja nos palcos de adoração ou folia.

Cada um de nós, por nossas crenças e ações, é que somos capazes de fazer do mundo, um lugar para celebrar!



Conheça a primeira escola de samba do Brasil a abolir uso de plumas e penas no desfile de Carnaval.





Defensora e Ativista dos Direitos dos Animais,
Formanda em Publicidade e Propaganda
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Blogueira, Vegana.



Dizy Ayala
Ação pelos Direitos dos Animais